Quote of the Day

  • January,7th,2013 at 1:19 PM

A hipocrisia é o camaleão de qualquer argumento.

- Cyro Morais

A ultima das uvas

  • December,12th,2012 at 1:40 AM

Os cachos se vão, vítimas do esfaimo canino;

e são mordidos e engolidos, durante o hiato de cada murmúrio de ledice.

A raposa, obviamente, não esconde seu amor pelas uvas. Pelo contrário, quase o declama em grito.

Contudo, uma uva negra, pequena e machucada, permanece na videira. Não por desejo seu, mas do orgulhoso e vulpino canídeo. 

O fruto tenta, de toda forma, roubar a atenção da vulpes para si. Exala odores adocicados, ruboriza-se e umedece-se. Usa de todas as suas artimanhas para seduzir sua presa transvestida de predador. Mas o desdém se mostra blindado.

Rejeitada, lamenta em silêncio.

Satisfeita, a raposa toma seu caminho, abandonado a videira quase nua.

Não é necessário muito tempo para que seu pequeno fruto desça ao chão, assim como não é necessário muito tempo para que ele se torne um novo broto de videira.

Os dias se passam, as semanas se passam, e, rapidamente, os anos se passam.

A ultima das uvas dá origem a toda uma nova geração, em uma alta parreira. E quem diria… mais alta do que qualquer raposa.

  • November,30th,2012 at 5:21 PM

o relento e o vento

Quando se tem a outra metade

  • November,17th,2012 at 10:58 AM

Quando se tem a outra metade,

as árvores secas parecem felizes, como que trajassem pouca roupa só pelo calor que o dia tem.

O calor, por sua vez, até para os amantes da neve, é como um estepe de abraço que nos acompanha durante o dia, antes da noite chegar e vermos quem amamos.

Os sonhos são limitados à companhia eterna de uma certa pessoa, seja sonho bom, seja um sonho não tão bom.

Sofá é lugar para amar, cozinha é lugar para amar, cama é lugar para amar, claro, todo lugar, escurinho ou não, se torna um bom abrigo.

Quando se tem essa sorte, a perspectiva muda e o pensamento positivo impregna na pele e na boca. O tempo para estresse é contado com pressa no relógio e o tempo livre é só amor.

Quando nos damos como metade, nos damos conta que algo sempre nos faltou.

aritimeticando

  • November,1st,2012 at 2:04 AM

eu que nem gosto de cálculos tanto assim,

fui lá e me dividi,

metade pra você, metade pra mim.

homem ao mar (ou “o ar em sua boca”)

  • November,1st,2012 at 1:17 AM

“homem ao mar”, dizia a sereia ao puxar-me para si.

se cinismo ou candura, nunca saberei,

o fato é que hoje, sem ao menos resistir, sufoco em água,

respirando apenas seu beijo.

transa silente

  • October,31st,2012 at 9:09 PM

um sorriso mordido, desses de canto de boca,

soletrava um inaudível “venha”, por cima de mim, enquanto o seio respirava forte. 

silente, ou quase.

olhos cansados, o mesmo sorriso, e um cheiro bom de perfume e suor.

o cartão

  • September,18th,2012 at 1:50 AM

por trás do cartão postal,

há saudade, langor e frustração.

tudo vai mal, mas não no cartão postal.

-

em sua ortografia ele mente sorrisos,

admite a saudade, como se por educação.

“queria vocês aqui”, ou coisa do gênero.

-

dita a vida,

versa uma realidade inversa, e impressiona.

deveria ser ator, roteirista,

mas trabalha em um dos guichês da UCI.

-

no cartão,

a Octávio Frias de Oliveira ilustra seu mundo,

frente às falácias, do outro lado do fino papelão,

o júbilo teatral que a caneta tão firmemente conduz esconde o desistente enrustido.

-

pois lá, em seu apê paulistano, passa frio,

e, nessas noites,

apenas o chuveiro parece não chorar.

-

em desvaneio, quase sorri,

já que nada vai mal - por fim - em seu cartão postal.

te acalma

  • September,17th,2012 at 11:50 PM

te acalma, menina

que a alma precisa de ar,

a calma acalma a alma, tal a âncora em alto mar.

segurando o ar em copos meio cheios

  • September,7th,2012 at 9:43 AM

olhei o copo meio vazio, jurava estar meio cheio.

enfim, pouca água.

mergulhei como num poço sem fundo, até minha cabeça sentar-se à base.

morro afogado, e com tanta sede. 

Profile

Dois lobos.
Qual alimentarei hoje?
Quem?

Ahoy

Tudo o que escrevo tem um pouco de mim e muito do mundo.

Tudo o que o mundo tem é um pouco de mim e muito do que escrevo.

O triste nisso é a falta de interação em ambos.

Esqueça de mim, mundo. Que farei o mesmo contigo.

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